Tuesday, April 17, 2007

Uma voz fenomenal!



É bem verdade que as músicas influenciam os nossos sentimentos mas, para ser sincera, quando oiço esta fico sempre algures entre o feliz e o triste, fico melancólica, pensativa...
Aqui fica a letra:

How can I think I'm standing strong,
Yet feel the air beneath my feet?
How can happiness feel so wrong?
How can misery feel so sweet?
How can you let me watch you sleep,
Then break my dreams the way you do?
How can I have got in so deep?
Why did I fall in love with you?
This is the closest thing to crazy
I have ever been Feeling twenty-two, acting seventeen,
This is the nearest thing to crazy I have ever known,
I was never crazy on my own...
And now I know that there's a link between the two,
Being close to craziness and being close to you.
How can you make me fall apart
Then break my fall with loving lies?
It's so easy to break a heart;
It's so easy to close your eyes.
How can you treat me like a child
Yet like a child I yearn for you?
How can anyone feel so wild?
How can anyone feel so blue?
Katie Melua

Sunday, April 15, 2007

Sonhos - o que nos mantém acordados?


Há quem diga que todas as noites são de sonhos.

Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.

No fundo isso não tem importância.

O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.

Sonhos que o homem sonha sempre.

Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.

William Shakespeare

Friday, April 13, 2007

Porque queremos sempre mais?!

Damos festas, abandonamos as nossas famílias para vivermos sós no Canadá, batalhamos para escrever livros que não mudam o mundo apesar das nossas dádivas e dos nossos imensos esforços, das nossas absurdas esperanças. Vivemos as nossas vidas, fazemos seja o que for que fazemos e depois dormimos: é tão simples e tão normal como isso. Alguns atiram-se de janelas, ou afogam-se, ou tomam comprimidos; um número maior morre por acidente, e a maioria, a imensa maioria é lentamente devorada por alguma doença ou, com muita sorte, pelo próprio tempo. Há apenas uma consolação: uma hora aqui ou ali em que as nossas vidas parecem, contra todas as probabilidades e expectativas, abrir-se de repente e dar-nos tudo quanto jamais imaginámos, embora todos, excepto as crianças (e talvez até elas), saibamos que a estas horas se seguirão inevitavelmente outras, muito mais negras e mais difíceis. Mesmo assim, adoramos a cidade, a manhã, mesmo assim desejamos, acima de tudo, mais.





Michael Cunningham, in As Horas

What is your reason to stay alive?

Wednesday, April 11, 2007

Viva!


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra cobardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo traí. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que a fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morreu esteja vivo, quem quase vive já morreu.


Fernando Pessoa

Devaneios sobre a inconstância da vida...


Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
Fé igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

Florbela Espanca
Porque adoro Florbela Espanca... Neste poema, ao contrário da sua visão predominantemente amargurada da vida, sente-se uma réstia de fé no amor, na possibilidade de sermos felizes. Porque vivemos na corda bamba... entre momentos de amargura e desilusão e outros tão sublimes que não conseguimos deixar de pensar que vão acabar, fugir das nossas mãos... Porque podemos sentir-nos felizes em dias negros e sentir-nos desprotegidos quando tudo à nossa volta parece apontar dias que correm bem... Porque somos inconstantes... E porque muitas vezes não compreendemos o que sentimos!
E pronto, porque me apeteceu postar qualquer coisa de Florbela Espanca e acabei por escolher este poema que traduz a inconstância dos meus sentimentos, assim como das curvas e cruzamentos que acontecem nas nossas vidas... Disse no outro dia a um amigo meu que esteve comigo em Taizé que sentia que tinha outra vez os meus 12 anos, que sentia os sentimentos à flor da pele que se traduziam em variações de humor repentinas e que isso me deixava insegura. Ele respondeu-me que era isso que caracterizava o local e que o tornava tão especial pois fazia-nos perceber que há algo vivo dentro de nós... Porque é a inconstância da vida que lhe dá o seu sabor tão característico, embora isso nos amedronte. E porque é que há tantos porquês na nossa vida?!
Será que fiz sentido hoje? Não me preocupei com a apresentação das ideias ou com a coerência gramatical. Estão como a vida... confusa e com muitas questões que nem sempre procuramos responder, num é? :P

Tuesday, April 10, 2007

Porque sou muitos... sou o infinito!


Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem achei.


De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é,


Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada meu sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.


Sou minha própria paisagem,

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo


Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo: «Fui eu?»

Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa

Quem sou eu? Tento inserir a minha personalidade entre padrões sociais? Isto é, adapto os comportamentos em função do meio social em que estou inserido? Como se pode definir personalidade? Somos aquilo que fazemos ou fazemos aquilo que somos?!
Aiii, tantas dúvidas que me assaltam quando se começa a pensar nestas coisas... É incrível a quantidade de temas que podemos salientar quando interpretamos interpretamos uma imagem, uma pessoa, o mundo, ou uma qualquer obra de Fernando Pessoa, alguém simplesmente genial que conseguiu fazer "música" com os seus anseios...