Tuesday, January 22, 2008


“Vamos pela vida intercalando épocas de entusiasmo com épocas de desilusão. De vez em quando andamos inchados como velas e caminhamos velozes pelo mar do mundo; noutras ocasiões - mais frequentes do que as outras - estamos murchos como folhas que o tempo engelhou. Temos períodos dourados, em que caminhamos sobre nuvens e tudo nos parece maravilhoso, e outros - tão cinzentos! - em que talvez nos apetecesse adormecer e ficar assim durante o tempo necessário para que tudo voltasse a ser belo.
Acontece-nos a todos e constitui, sem dúvida, um sinal de imaturidade. Somos ainda crianças em muitos aspectos.
A verdade é que não temos razões para nos deixarmos levar demasiado por entusiasmos, pois já devíamos ter aprendido que não podem ser duradouros.
A vida é que é, e não pode ser mais do que isso.
Desejamos muito uma coisa, pensamos que se a alcançarmos obtemos uma espécie de céu, batemo-nos por ela com todas as forças. Mas quando, finalmente, obtemos o que tanto desejávamos, passamos por duas fases desconcertantes. A primeira é um medo terrível de perder o que conquistámos: porque conhecemos o que aconteceu anteriormente a outras pessoas em situações semelhantes à nossa; porque existe a morte, a doença, o roubo…
A segunda fase chega com o tempo e não costuma demorar muito: sucede que aquilo que obtivemos perde - lentamente ou de um dia para o outro - o encanto. Gastou-se o dourado, esboroou-se o algodão das nuvens. Aquilo já não nos proporciona um paraíso.
E é nesse momento que chega a desilusão, com todo o seu cortejo de possíveis consequências desagradáveis: podem passar-nos pela cabeça coisas como mudarmos de profissão, mudarmos de clube, trocarmos de automóvel ou de casa, divorciarmo-nos… E, então, surge o desejo de partir atrás de outro entusiasmo: queremos voltar a amar…
Nunca mais conseguimos aprender o que é o amor.
Se nos desiludimos, a culpa não está nas coisas nem está nas outras pessoas. Se nos desiludimos, a culpa é nossa: porque nos deixámos iludir; porque nos deixámos levar por uma ilusão. Uma ilusão - há quem ganhe a vida a fazer ilusionismo - consiste em vestir com uma roupagem excessiva e falsa a realidade, de modo a distorcê-la ou a fazê-la parecer mais do que aquilo que é.
Quando nos desiludimos não estamos a ser justos nem com as pessoas nem com as coisas.
Nenhuma pessoa, nenhuma das coisas com que lidamos pode satisfazer plenamente o nosso desejo de bem, de felicidade, de beleza. Em primeiro lugar porque não são perfeitas (só a ilusão pode, temporariamente, fazer-nos ver nelas a perfeição). Depois, porque não são incorruptíveis nem eternas: apodrecem, gastam-se, engelham-se, engordam, quebram-se, ganham rugas… terminam.
Aquilo que procuramos - faz parte da nossa estrutura, não o podemos evitar - é perfeito e não tem fim. E não nos contentamos com menos de que isso. É por essa razão que nos desiludimos e que de novo nos iludimos: andamos à procura…
De resto, se todos ambicionamos um bem perfeito e eterno, ele deve existir. Só pode acontecer que exista. Mas deve ser preciso procurar num lugar mais adequado.”




Professor Paulo Geraldo

Sunday, December 16, 2007

Tuesday, December 11, 2007

Será?


“ … Amar é como uma droga. No princípio vem a sensação de euforia, de total entrega. Depois, no dia seguinte, tu queres mais. Ainda não te viciaste, mas gostaste da sensação e achas que podes mantê-la sob controlo. Pensas durante dois minutos nela e esqueces por três horas. Mas aos poucos, acostumas-te com aquela pessoa, e passas a depender completamente dela. Então, pensas por três horas e esqueces por dois minutos. Se ela não está perto, experimentas as mesmas sensações que os viciados têm quando não conseguem arranjar a droga. Nesse momento, assim como os viciados roubam e se humilham para conseguir o que precisam, tu estás disposto a fazer qualquer coisa pelo amor.”



Paulo Coelho

Monday, December 10, 2007


"Acredito no amor, naquele amor, o único que deve andar em outros papéis que não estes, mas que encontrarei, ou que me descobrirá um dia, num passeio à mata. E chama-me infantilmente romântica se quiseres, mas esse amor dedicar-se-á a desmanchar tudo o que em mim sofre e a restituir tudo o que me foi roubado. Far-me-á sentir merecedora de todo o mundo não só pelas minhas virtudes, mas também (e quem sabe se principalmente) pelas minhas imperfeições. Espero também amá-lo e não o afastar por não me sentir merecedora de tanto. É que isso também acontece!
No dia em que deixar de acreditar posso enlouquecer! Por isso chamo-me louca quando embrulhada em cobertores, choro convulsivamente a tua ausência; é o medo da ideia de não encontrar esse alguém, ou de o ter já perdido. Depois, esforço-me por acreditar que não."


Marta Gautier, in Tanto Que Eu Não Te Disse

Thursday, December 6, 2007


O que é essencial para ti?!

Wednesday, December 5, 2007

É natural que às vezes te apeteça chorar.
Mas se o soluço te abafar a garganta,
Endireita as costas, levanta o queixo e sorri.
Ri mesmo, abertamente.
Frente ao que te considera humilhado
Pois o humilhante é humilhar-se os humildes.
É natural que te sintas só
E te percas na imensidão da tua própria solidão.
Mas quando a solidão fizer eco na tua vidaE te sentires desesperadamente só
Abraça o ar que te rodeia,
Respira profundamente e lembra-te,
Que a vida é um desafio a longo prazo,
É um poema de heróis.
Não de vencidos.
Tu homem, tu mulher
Nasceram para vencer.
É natural que morras lentamente
Quando te afogas na saudade.
É natural que morras
Quando sentes o passado passar-te pelos dedos
Como nuvens sopradas pelos ventos.
É natural que te vires para trás
Na ânsia de caminhar para o aquém do tempo.
É natural que as lágrimas
Queiram rebentar dos teus olhos,
E os joelhos se queiram dobrar
Ao peso dos passos parados
De quem não sabe por onde andar.
É natural que a indecisão te desespere.
É natural que te sintas confundido nos dias.
É natural que odeies o mundo que te rodeia.
É natural que as pessoas para ti
Tenham o aspecto de estátuas,
Drogados, autómatos, assassinos, ninguéns.
Nenhuma pessoa é ninguém!
Nem tu és o mundo!
O que é o mundo?
Além de tudo, é a força dos gigantes
A espezinhar os fracos.
Fracos amordaçados com a Verdade a espirrar pelos poros
Porque a boca fica muda.
Falta a força, não da Verdade
Mas a força que torna fortes os fracos.
Assim começa esta luta desigual nesta selva da vida.
Na selva só sobrevivem os fortes!
Se te apetece chorar, ri.
Ri, não convulsivamente, mas com serenidade.
Se te apetecer quedar-te estástico a um canto
Sem forças para reagir, levanta-te e prepara-te para agires
Mesmo que não saibas como.
Estático é que não!
Os cemitérios é que estão povoados
De estátuas adormecidas
Nos luares das noites frias.
Não deixes os outros sentir
A extensão da tua pobreza.
Não lhes mostres a simplicidade dos teus trajes,
Nem sequer as tuas ânsias secretas.
Não lhes mostres a tua sede
Nem a tua fome, nem o teu abandono.
Tu, na selva, para sobreviveres
Só tens de lhes mostrar força.
Não de armas.
Força dos fortes.
Dignidade com brilho no olhar.
Se te apetecer chorar, ri!
Se te apetecer fugir, fica!
Se te apetecer acabar, vive!
Se te apetecer comer, espalha as únicas migalhas
Do teu pão pelos pássaros!
Se os teus pés estiverem feridos
Das pedras dos caminhos, dança!
Se estiveres desesperadamente só, olha ao teu lado.
Há algo vivo à tua espera!
Nunca espalhes o teu sangue,
A tua dor, o teu suor, a tua vida, sem luta.
Na vida só sobrevivem os fortes.
Se és fraco terás de deixar de O ser!

Maria Elvira Bento